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Artes marciais nas escolas precisam ser repensadas
Esporte - 13/06/2015

Por César Isoldi, da AUN/USP

O governo federal e o estadual de São Paulo colocam em suas propostas curriculares para a educação física a problematização de cinco pontos diferentes: o esporte, o jogo, a dança, a ginástica e a luta, sendo que, dentro deste último, está tudo o que é relacionado ao combate. Uma pesquisa desenvolvida na Escola de Educação Física e Esporte da USP buscou entender como o ensino das artes marciais se dava nesse meio e ouviu de professores do ensino médio inúmeras queixas e dificuldades.

Segundo Lázaro Rocha Oliveira, autor da dissertação, as artes marciais e a Educação Física são instituições diferentes, criadas em contextos distintos, e que, em um certo momento histórico, se aproximam. O problema que ele vê é que é justamente essa sobreposição o que acaba trazendo dificuldades para os professores. “Talvez eles pensem que não conseguem ensinar e que isso é uma deficiência deles, mas na verdade o problema está mais atrás, nessa apropriação da educação física em relação às artes marciais”, afirma Lázaro, que completa dizendo que as artes marciais podem ser consideradas como esporte – no sentido competitivo –, mas não são apenas isso.

O pesquisador explica que o problema verificado é que as artes marciais não foram criadas tendo em vista a escola. Elas foram elaboradas em contextos sócio-políticos muito singulares e pressupõem uma filosofia e princípios, ou seja, além de uma luta, é um modo de educar. “Se a educação física começa a tomar essas manifestações apenas na sua vertente competitiva, perde-se muito do que o faria como arte marcial dentro da cultura que lhe foi originada”, diz.

Durante as entrevistas com os professores, foi visto que as artes marciais surgiam como um problema insuperável justamente por causa dessa visão, já que, ao colocar essas manifestações no mesmo “bolo” da luta comum, o currículo escolar acaba por torná-las desinteressantes. “Quando o professor vai falar sobre isso na aula, ele percebe que falar de judô, por exemplo, como esporte, talvez não tenha tanto brilho quanto falar como arte marcial, com suas filosofias e princípios”, afirma.

No entanto, por serem instituições distintas, as artes marciais de “fora da escola” não devem ser as mesmas ensinadas nela, e o objetivo da pesquisa era delinear essas diferenças, a fim de que os professores tenham mais um instrumento para efetuar essa aproximação de maneira menos problemática. Lázaro acredita, porém, que não há um modelo pronto a ser seguido. “Deve haver um grande esforço do professor, ele precisa sair da área específica de conhecimento dele para trabalhar o que do caratê, por exemplo, ‘lá de fora’ interessa ao grupo de alunos, ao contexto e à realidade escolar dele”.

 

(Foto: reprodução)

 

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