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O Poeta Antonio Ventura
Cultura - 20/07/2017

 Por Carlos Nejar, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras

 

Morreu um poeta, que tinha bondade de água que corre no monte, íntegro, generoso. Tinha ventura no nome e foi, sim, venturoso de poemas. Seu último livro - "A educação pelo abismo" - já era silenciosa preparação para morte. Apresentei seu livro, fui em todos os seus lançamentos, que pude, no Rio de Janeiro, eu morava em Vitória e ele agora mora em Deus.

A tristeza de quando se vai um poeta é maior do que a dor de uma árvore que tomba, ou de um jardim devastado. Como se até o tempo não fosse um jardim suficiente para o fulgor da palavra e o tempo humano, sim, é pequeno e a palavra infinita.

Débora, também poeta e três filhos choram por ele, que foi Juiz de Direito e se aposentou, quando atacado de enfermidade, o câncer que lhe roeu a existência. Era de Ribeirão Preto. Morreu na última quinta-feira, dia 29 de junho do corrente, num hospital da capital paulista.

Visitou-me na "Casa do Vento", da Urca e quando saiu em São Paulo, "O feroz círculo do homem", nos reunimos. Chamava-me de "pai", como se eu o fosse e pedia a bênção-sendo, leitores, que nada tenho que seja meu, nem o ar que respiro, nem o universo que me cerca. Somos transeuntes, mordomos do que passa. Nem o vento nos reconhece, porque vem desde o princípio do mundo. Talvez lhe tenha sido pai, sim, com os ouvidos do coração.

A última notícia que tive é que teria de operar a traqueia, pois ficara quase sem voz. Inda que como poeta nunca restaria sem fala, a voz que se educava na metáfora, a voz que se junta agora à eternidade. Começou como "Catador de palavras" e concluiu sua cantata terrestre com "A Educação pelo Abismo".

E descobriu, com felicidade inventiva, no "Soneto Original" o paraíso - chave de ouro da décima quarta (casa), chave de ouro da Poesia, onde descansa. Pois "a vida não vive" - frase de um pensador alemão. A vida vive de não viver. Vive de saber que a semente da palavra prospera. E se a morte depende da vida, há uma vida que não depende da morte.

 

 

 

 

(Foto: arquivo pessoal)

 

 

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