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‘Saída de Moro abala estabilidade do governo Bolsonaro’, diz analista
Geral - 09/05/2020

Do Jornal da USP

Na sexta-feira, dia 24, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, anunciou sua demissão sob a justificativa de interferência por parte da presidência na Polícia Federal, com objetivo de obter informações sigilosas. Segundo ele, a saída de Maurício Valeixo foi uma quebra de compromisso entre ele e Jair Bolsonaro, já que essa troca de comando configuraria uma interferência política.

Jornal da USP no Ar conversou com o professor e analista político Humberto Dantas sobre a decisão do ministro. Ele explica que, desde o momento da admissão de Moro, Bolsonaro sabia que não poderia demiti-lo, mas as circunstâncias culminaram no ocorrido: “Uma máxima da lógica das contratações é ‘nunca admita quem você não pode desligar’, mas o presidente fez isso. Bolsonaro rompeu um acordo que tinha com o ministro em relação à formatação do seu Ministério, e não caberia outra coisa a Moro senão pedir demissão nesse momento”.

Durante seu período no Ministério, Moro teve sua popularidade abalada inclusive perante o Congresso, uma vez que a presidência “nunca foi defensora assídua de sua pauta perante o poder Legislativo”, segundo o especialista. Com a admissão de Moro como um “super” ministro da Justiça, “Bolsonaro marcaria ali talvez o ponto mais estratégico da montagem de seus ministérios, trazendo para perto de si um agente sintonizado ao combate à corrupção, apesar das suspeitas que pesam sobre seu clã (corrupção, associação à milícia etc.)”, relembra o analista. A demissão do ex-juiz pode então causar ainda mais instabilidade na esfera política.

Dantas considera que os sustentáculos da presidência eram quatro: a justiça, a economia, o setor militar e o conservadorismo. Com a saída, um desses pilares foi destruído, e Bolsonaro vem se distanciando de Paulo Guedes, nos últimos tempos. Tendo isso em vista, o professor aponta que o governo passa a estar cada vez mais alinhado com o universo dos militares e conservadores.  Ele também acrescenta que “o presidente tem se visto enredado em acusações graves, sobretudo para um governo sem partido político ou boa relação com o Congresso Nacional, e, além disso, tem perdido parte significativa de sua base de apoiadores. Se Bolsonaro tomar aquela rede de eleitores como forma de se garantir no poder, ele está flertando com a mesma situação ocorrida no governo Collor, que acabou com um impeachment”.

 

 

(Foto: reprodução/Internet/divulgação)

 

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